quinta-feira, 6 de abril de 2017

Clube da luta - Chuck Palahniuk

Um dos raros casos em que achei o filme melhor que o livro. Provavelmente por ter perdido, ao
lê-lo, o fator surpresa - parte essencial da trama.

Clube da luta, lançado em 1996, foi escrito por Chuck Palahniuk, sendo este seu primeiro livro publicado e seu maior sucesso, especialmente pela adaptação cinematográfica. Chuck nasceu em Pasco, Oregon, nos Estados Unidos, no ano de 1962. Jornalista de formação, teve em sua vida acontecimentos trágicos que acabaram por ter influência em sua obra, como o suicídio do avô e o assassinato do pai. Ele classifica seu estilo como ficção transgressional, com o frequente uso de mutilações e comportamentos sexuais inadequados em seus escritos. A narrativa é escrita com o uso de muitas frases curtas, com uma ironia cáustica.

Segundo o autor, a ideia de escrever o Clube da luta surgiu da insatisfação humana. A muitas vezes tediosa rotina da maioria das pessoas, o desejo de sempre ser ou fazer algo maior foi um dos alicerces do livro. São três os personagens principais: o narrador, cujo nome não é revelado; Tyler Durden, amigo do narrador; e Marla, que se apaixona por Tyler. O livro é ambientado em uma grande cidade, narrado em primeira pessoa, sendo o narrador um comum trabalhador em um escritório.

O narrador, é uma pessoa comum, que sofre com a infelicidade e com a solidão. Questiona as regras sociais, mas não tem coragem para mudar seu estilo de vida. Sua infelicidade o leva a frequentar grupos de ajuda para pessoas com câncer, em busca de um pouco de afeto. Em um desses grupos ele encontra Marla, uma jovem que também frequenta esses grupos tentando curar sua infelicidade. Essa situação toda muda quando seu apartamento explode, acabando com sua mobília e, principalmente , mudando seu estilo de vida. Sem ter para onde ir, ele acaba procurando por Tyler, um sujeito que ele havia conhecido há muito tempo. Acabam por se encontrar em um bar e, no estacionamento, Tyler pede ao narrador que lhe dê um soco, o mais forte que puder. Começa assim o Clube da luta.

Tyler é quase um antônimo do narrador: é forte, destemido, confiante. Sabe convencer as pessoas. E, sobretudo, não liga para as regras sociais. Ou melhor, deseja acabar com essas regras. Ao fundar o Clube da luta, ele acaba se tornando seu centro. Cada vez mais pessoas se juntam ao clube.

O Clube da luta surge como um local onde os homens simplesmente lutam um contra o outro. Sem regras. Lutam até que um dos dois - ou os dois! - caiam. Acaba sendo uma forma de alívio para todos, cansados de tudo que lhes é imposto, cansados da futilidade de suas vidas. No clube se sentem importantes, fazendo parte de algo. A primeira regra do clube é: "Nunca fale sobre o Clube da luta". Mas os homens acabam se reconhecendo na rua, ao verem passar por eles outros homens com os rostos deformados, sorrisos sem alguns dentes, olhos inchados... Com o tempo, o clube foi crescendo. Foram fundados outros clubes na cidade. Foram fundados clubes em outras cidades. Sempre sobre a liderança de Tyler. O clube acaba tomando ares de sociedade secreta... e é aqui que temos uma grande reviravolta!

O livro tem uma história bastante interessante. A maioria de nós tem uma vida "comum", fazendo coisas "comuns". Ao ler o livro, temos a tendência de fazer pequenos questionamentos sobre nosso estilo de vida. Não é difícil lê-lo nem compreendê-lo, e a narrativa vai prendendo o leitor ao longo do tempo. Faço apenas uma ressalva: leia o livro antes de ver o filme!


Nenhum comentário:

Postar um comentário