"Humano bom é humano morto". Essa é uma das frases de efeito de A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Ela nos lembra alguma coisa?
Escrita em 1943, a obra é um dos clássicos da literatura do século XX. É uma obra que já influenciou milhões de pessoas ao redor do mundo, tanto capitalistas quanto socialistas. Chegou, inclusive, a ser proibida em alguns lugares por seu caráter subversivo.
Durante muito tempo algumas pessoas questionaram se A Revolução dos Bichos se referia ao regime soviético ou a qualquer tipo de regime totalitário. A edição que li - a décima reimpressão da editora Companhia das Letras - apresenta um posfácio escrito por Christopher Hitchens, além de um prefácio do autor à edição ucraniana de 1947. Em ambas é reafirmada a intenção de Orwell: a obra é uma alegoria ao regime político da URSS. O que torna essa crítica mais interessante é o fato de que o autor era socialista. Mas, para ele, o governo soviético deturpava o ideal socialista. Os que se diziam lutar pelo povo apenas se tornaram a nova elite. Os que eram oprimidos pelo regime czarista continuavam oprimidos, mas com uma ideia quase romântica de que eram livres.
Nascido Eric Arthur Blair, em 1903, na Índia, então parte do império britânico, George Orwell se mudou aos 11 anos para a Inglaterra. Em 1922 trabalhou na Birmânia - atual Myanmar. Na década de 1930, antes de sua carreira de escritor deslanchar, lutou ao lado dos socialistas na Guerra Civil Espanhola. Adepto do comunismo, teve seus ideais cada vez mais estremecidos graças à atuação do governo de Stálin na URSS. Faleceu em 1950, vítima de tuberculose.
Acho que não estou correto, mas classifico A Revolução dos Bichos como uma fábula. Fábula, pra quem não sabe, é uma composição curta em que os personagens são animais que possuem características humanas. O objetivo de uma fábula é, em geral, educar, apresentando alguma lição de moral. Essa obra de Orwell apresenta todos esses elementos, à exceção de ser curta. Por causa desse detalhe é que tenho minha dúvida sobre ela ser uma fábula.
A história se passa em uma fazenda, a Granja do Solar, cujo dono era o sr. Jones. Os animais eram explorados, sendo que o único que lucrava com o trabalho de todos era o dono da Granja. Graças à liderança do porco Major, os animais se rebelam, expulsam o sr. Jones e tomam conta da fazenda. Estava instituído o Animismo, que pregava que todos os animais tinham igual direito, sendo todos donos de tudo o que era produzido. Mas, com o passar do tempo, alguns animais se afirmaram como elite, tomando atitudes idênticas às que o sr. Jones tomava...
É uma obra curta, de fácil leitura. Deveria ser leitura obrigatória em todas as escolas. Mas é subversiva demais pra isso...
Referências:
https://www.culturagenial.com/a-revolucao-dos-bichos/
https://www.infoescola.com/escritores/george-orwell/
domingo, 22 de setembro de 2019
domingo, 21 de julho de 2019
Assassinato no Expresso do Oriente
Fiz uma (na verdade, mais uma!) releitura de Assassinato no Expresso do Oriente. Talvez esse seja o maior clássico de Agatha Christie, uma das grandes autoras de literatura policial de todos os tempos.
Pra quem não sabe, Agatha Christie nasceu em Torquay, Inglaterra, em 1890. Seu nome de solteira era Agatha Mary Clarissa Miller. Adotou o sobrenome Christie em seu casamento com o coronel Archibald Christie, permanecendo com esse sobrenome até o fim de sua vida. Durante a I Guerra Mundial ela se voluntariou como enfermeira, e foi nessa época que ela começou a escrever. Sua irmã a desafiou a escrever um conto policial em que o leitor não conseguisse descobrir, até o final do livro, a identidade do assassino. E foi assim que surgiu seu primeiro livro, O misterioso caso de Styles, no qual aparece um dos maiores detetives da literatura, o belga Hercule Poirot. Mas Agatha Christie só começou a obter grande reconhecimento em 1926, com a publicação de O Assassinato de Roger Ackroyd.
É autora de mais de 80 livros que, juntos, venderam mais de um trilhão
(!) de cópias em todo o mundo, tornando-a a maior autora de romances
policiais de todos os tempo. Faleceu em janeiro de 1976.
O personagem principal do livro é o já citado detetive belga, Hercule Poirot. Ele faz aparição também em inúmeros outros livros da autora. Ele é descrito como um homem pequeno (1,60m) e dono de um espesso bigode. Além de organizado, é meticuloso e bastante perspicaz, o que o faz reconstruir um crime com detalhes que passam despercebidos para outras pessoas.
Já o Expresso do Oriente - local onde ocorre toda a trama existe mesmo. O hoje chamado Venice Simplon-Orient-Express teve, em seu apogeu, na década de 1930, três linhas cortando a Europa. O livro se passa na antiga linha Simplon Orient Express, que ligava Constantinopla (hoje Istambul) a Paris.
Já a história do livro tem traços bastante comuns a outras histórias da autora. Em uma noite de nevasca um homem é assassinado com 12 facadas. Hercule Poirot, que era passageiro do trem, é convidado para ajudar a desvendar o crime. Se, em linhas gerais, a história tem semelhança com outras escritas por Christie, o final dessa é surpreendente. Aliás, é provavelmente isso que faz com que essa história chame tanto a atenção em relação a outras obras do gênero.
A leitura dos livros de Agatha Christie é sempre empolgante. O leitor é quase convidado a fazer parte da busca por desvendar o crime. Suas histórias são relativamente curtas, além de não utilizar palavras difíceis, o que fez com que muitos de seus livros se tornassem best-sellers. Vale demais a pena a leitura desse livro.
Referências:
https://www.cin.ufpe.br/~pmgj/agatha/biografia.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Agatha_Christie
https://lufthansacc.com/trem-de-luxo/orient-express-expresso-do-oriente/
https://www.agathachristie.com/
Pra quem não sabe, Agatha Christie nasceu em Torquay, Inglaterra, em 1890. Seu nome de solteira era Agatha Mary Clarissa Miller. Adotou o sobrenome Christie em seu casamento com o coronel Archibald Christie, permanecendo com esse sobrenome até o fim de sua vida. Durante a I Guerra Mundial ela se voluntariou como enfermeira, e foi nessa época que ela começou a escrever. Sua irmã a desafiou a escrever um conto policial em que o leitor não conseguisse descobrir, até o final do livro, a identidade do assassino. E foi assim que surgiu seu primeiro livro, O misterioso caso de Styles, no qual aparece um dos maiores detetives da literatura, o belga Hercule Poirot. Mas Agatha Christie só começou a obter grande reconhecimento em 1926, com a publicação de O Assassinato de Roger Ackroyd.
É autora de mais de 80 livros que, juntos, venderam mais de um trilhão
(!) de cópias em todo o mundo, tornando-a a maior autora de romances
policiais de todos os tempo. Faleceu em janeiro de 1976.O personagem principal do livro é o já citado detetive belga, Hercule Poirot. Ele faz aparição também em inúmeros outros livros da autora. Ele é descrito como um homem pequeno (1,60m) e dono de um espesso bigode. Além de organizado, é meticuloso e bastante perspicaz, o que o faz reconstruir um crime com detalhes que passam despercebidos para outras pessoas.
Já o Expresso do Oriente - local onde ocorre toda a trama existe mesmo. O hoje chamado Venice Simplon-Orient-Express teve, em seu apogeu, na década de 1930, três linhas cortando a Europa. O livro se passa na antiga linha Simplon Orient Express, que ligava Constantinopla (hoje Istambul) a Paris.
Já a história do livro tem traços bastante comuns a outras histórias da autora. Em uma noite de nevasca um homem é assassinado com 12 facadas. Hercule Poirot, que era passageiro do trem, é convidado para ajudar a desvendar o crime. Se, em linhas gerais, a história tem semelhança com outras escritas por Christie, o final dessa é surpreendente. Aliás, é provavelmente isso que faz com que essa história chame tanto a atenção em relação a outras obras do gênero.
A leitura dos livros de Agatha Christie é sempre empolgante. O leitor é quase convidado a fazer parte da busca por desvendar o crime. Suas histórias são relativamente curtas, além de não utilizar palavras difíceis, o que fez com que muitos de seus livros se tornassem best-sellers. Vale demais a pena a leitura desse livro.
Referências:
https://www.cin.ufpe.br/~pmgj/agatha/biografia.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Agatha_Christie
https://lufthansacc.com/trem-de-luxo/orient-express-expresso-do-oriente/
https://www.agathachristie.com/
domingo, 16 de junho de 2019
Inverno do Mundo - Ken Follett
Mais uma vez me vem a ideia de estar aprendendo mais sobre a história do século XX ao ler essa obra de Ken Follett do que ao ler alguns livros didáticos...
Inverno do Mundo é o segundo livro da trilogia O Século. Em minha postagem anterior (https://releiturar.blogspot.com/2018/07/queda-de-gigantes-ken-follet.html) já expliquei um pouco sobre essa - até agora - excelente trilogia. Não é à toa que Follett seja um de meus autores favoritos.
As cinco famílias protagonistas de Queda de Gigantes reaparecem: os Dewar, os Peshkov, os Fitzherbert, os Williams e os von Ulrich. Como os livros são cronologicamente sequenciais, os personagens do primeiro livro reaparecem, sendo que aos poucos os novos membros dessas famílias tomam o protagonismo da obra.
A história começa no período entre guerras. Mostra a situação política e econômica de países como a União Soviética, os EUA, a Inglaterra e a Alemanha. Mostra a evolução do comunismo soviético e sua influência em outros países da Europa. Mostra a ascensão do nazismo na Alemanha, e o porque de Hitler ser querido por muitos alemães. Mostra também como toda aquela conjuntura culminou em mais uma guerra de proporções mundiais. A história do livro termina no fim da década de 1940, com a Alemanha dividida e o início da bipolaridade Estados Unidos - União Soviética.
Inverno do Mundo é um livro que, apesar de suas quase 900 páginas, envolve o leitor, inclusive instigando-o a refletir sobre os rumos que a humanidade tem tomado em tempos recentes.
Inverno do Mundo é o segundo livro da trilogia O Século. Em minha postagem anterior (https://releiturar.blogspot.com/2018/07/queda-de-gigantes-ken-follet.html) já expliquei um pouco sobre essa - até agora - excelente trilogia. Não é à toa que Follett seja um de meus autores favoritos.As cinco famílias protagonistas de Queda de Gigantes reaparecem: os Dewar, os Peshkov, os Fitzherbert, os Williams e os von Ulrich. Como os livros são cronologicamente sequenciais, os personagens do primeiro livro reaparecem, sendo que aos poucos os novos membros dessas famílias tomam o protagonismo da obra.
A história começa no período entre guerras. Mostra a situação política e econômica de países como a União Soviética, os EUA, a Inglaterra e a Alemanha. Mostra a evolução do comunismo soviético e sua influência em outros países da Europa. Mostra a ascensão do nazismo na Alemanha, e o porque de Hitler ser querido por muitos alemães. Mostra também como toda aquela conjuntura culminou em mais uma guerra de proporções mundiais. A história do livro termina no fim da década de 1940, com a Alemanha dividida e o início da bipolaridade Estados Unidos - União Soviética.
Inverno do Mundo é um livro que, apesar de suas quase 900 páginas, envolve o leitor, inclusive instigando-o a refletir sobre os rumos que a humanidade tem tomado em tempos recentes.
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