quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Presos que Menstruam: A vida brutal das mulheres - tratadas como homens - nas prisões brasileiras.

    Presos que Menstruam. Que título excelente, para o propósito da autoria desse livro! O livro foi escrito por Nana Queiroz, que é jornalista e ativista pelos direitos das



mulheres. É autora de livros como Eu, travesti e Os meninos são a cura para o machismo. Escreveu para diversas publicações no Brasil, e é fundadora do movimento Eu Não Mereço ser Estuprada.

    Presos que menstruam é de um gênero jornalístico chamado jornalismo literário. É um gênero em que o jornalista narra uma reportagem que não seria suportada pelas mídias convencionais, como jornais e revistas, de forma longa e detalhada. Utiliza recursos literários, mas mantém as prerrogativas jornalísticas de apuração dos fatos e de investigação.

    Como já mencionado, o título do livro é muito bom. Apesar da utilização do gênero masculino, o livro narra as histórias de várias mulheres que estão nos mais diversos presídios do Brasil. A masculinização do título tem um propósito denuciativo: o sistema prisional brasileiro não está adequado para receber mulheres presas. A maioria é tratada como se fossem homens, apesar das características que são exclusivas ao sexo feminino. 

    Mas o livro não trata, apenas, das histórias das presas dentro do cárcere. Trata, também, dos fatos que as levaram para lá. Conta a vida amorosa de algumas. Conta as desventuras de outras após saírem da prisão. Conta as histórias dos filhos que nasceram na prisão e cresceram junto de suas mães. Conta as histórias das mães e dos filhos que foram separados graças à vida de prisioneira daquelas mulheres.

    O livro é de grande importância para que todos possam compreender a situação das mulheres em situação de cárcere. Se os homens vivem em condições sub-humanas, ainda piores são as condições das presas. Todos ser humano precisa de dignidade, e esta é escassa, quase inexistente, na vida das mulheres presas.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Todo dia a mesma noite: as histórias não contadas da Boate Kiss - Daniela Arbex

Dor. Raiva. Tristeza. Indignação. São alguns dos sentimentos comunicados, capítulo após capítulo, na obra “Todo dia a mesma noite: as histórias não contadas da Boate Kiss”. Com maestria, a jornalista Daniela Arbex transmite as histórias que não foram contadas pela grande mídia, e nos mostra o impacto de uma tragédia de tão grandes proporções, mesmo após terem se passado tantos anos.

O foco principal da obra é contar histórias dos personagens que, direta ou indiretamente, estiveram envolvidos no incêndio na boate Kiss. A boate se localizava na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Em janeiro de 2013, no dia 27, mais de mil pessoas estavam se divertindo em um local com capacidade máxima para 691 pessoas, quando um incêndio se inicia. Isso ocasiona a morte de 242 pessoas, com outras 13 pessoas morrendo algum tempo após o incêndio. Daniela cuida de dar voz às vítimas, aos seus familiares, aos profissionais que lidaram com a situação. Ela faz com que alguns desses números se tornem, novamente, pessoas, dando voz às suas histórias e aos seus sentimentos. É uma obra que humaniza o que foi desumanizado.


A estrutura narrativa do livro faz com que o leitor deseje continuar lendo, pois o leva a fazer parte das histórias. Histórias essas que são contadas em capítulos curtos e de forma não linear. Ela alterna entre a cronologia dos eventos e os relatos pessoais, proporcionando uma visão mais ampla dos fatos. Ao contar os eventos, ela mescla uma abordagem jornalística a relatos plenos de emoção narrando, com riqueza de detalhes, como esses eventos aconteceram e como impactaram na vida - e na morte - das vítimas e de seus parentes e amigos.

As vítimas - tanto as vivas quanto as falecidas - são retratadas por Arbex com bastante cuidado. Ela é muito zelosa, não usando de uma carga dramática exagerada, mas não omite os detalhes que são importantes na construção das personagens. Ela traz à superfície os sonhos, os desejos, as aspirações das pessoas retratadas, aprofundando em suas histórias pessoais. Ela conta os relatos dos parentes e amigos com uma grande carga emocional, mas sem exageros e com muito respeito à dor daquelas pessoas. Com esses relatos pessoais, é possível ter um panorama mais amplo de tudo o que ocorreu, pois é possível compreender tanto as consequências sociais quanto as consequências nos pequenos grupos familiares. 

A autora faz a opção de utilizar uma narrativa com frases curtas e palavras simples, corriqueiras. Isso faz com que o livro seja acessível a, praticamente, todo tipo de leitor. Essa opção faz com que os relatos sejam humanizados, levando o leitor a compreender o tamanho e o impacto da tragédia para a comunidade local. As descrições dos eventos são vívidas, o que faz com que quem estiver lendo a obra se imagine como participante daqueles momentos de dor e de sofrimento. 

Outro fato importante é que a narrativa de Daniela Arbex não é omissa. Ela aponta as diversas falhas que ocasionaram aquela tragédia, bem como as autoridades e a sociedade local lidaram com as consequências de tudo. A apresentação dessas diversas falhas e omissões leva o leitor à reflexão sobre quantas vidas poderiam ser salvas se elas não tivessem acontecido. 

Em suma, “Todo dia a mesma noite” é uma obra jornalística que supera as formas comuns de jornalismo. É uma obra literária que supera a literatura comum. É uma obra através da qual aqueles que partiram ganharam voz e reconhecimento. É uma obra em que os que ficaram puderam ter suas histórias e suas dores partilhadas. É uma obra em que o passado se torna sempre presente, a fim de que nada disso se repita no futuro. É uma obra que veio para lembrar a todos o valor da vida, e que toda vida humana merece respeito.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

O nascimento de Joicy: Transexualidade, jornalismo e os limites entre repórter e personagem - Fabiana Morais


 João Batista, filho de Irene e de Elpídio, nasceu em Campo do Magé, área rural de Alagoinha, na caatinga pernambucana. Foi criado como agricultor, plantador de mandioca e de algodão. Mas, a despeito das aparências, João nunca foi, realmente, João. A despeito da aparência de seu corpo, João era, na verdade, Joicy. Mas, inicialmente, somente ela sabia disso. Mas seu segredo seria revelado a todos através da reportagem “O nascimento de Joicy”, da repórter Fabiana Morais.

Em sua obra, Fabiana mostra o quanto a questão identitária é complexa. O quanto a diversidade é pouco aceita socialmente. Mostra a dor e o sofrimento de quem se sente preso em um corpo com o qual não se identifica. Em uma narrativa envolvente e sensível, a repórter mostra um pouco do que Joicy representa para ela mesma e para a sociedade.

Fabiana Morais passa cerca de 150 dias acompanhando o dia-a-dia da transexual, acompanhando-a antes, durante e depois da cirurgia de redesignação. Ela narra esses momentos utilizando uma linguagem que confere à narrativa um tom emocional, o que confere uma rápida conexão com Joicy. E essa narrativa se inicia apresentando a personagem, com todas as suas lutas externas e internas. Ela não é, apenas, o centro da reportagem, mas se torna um símbolo das lutas enfrentadas por aqueles que lutam por serem aceitos, por pertencerem, verdadeiramente, à sociedade.

Morais alterna sua narrativa. Ora, ela está em primeira pessoa. Hora, em terceira pessoa. A voz de Joicy se destaca nos momentos mais importantes e cruciais da narrativa, de um modo que o leitor entende, com profundidade, suas ideias e suas emoções. Com essa técnica o leitor é convidado a entrar na mente da protagonista. Mas, por vezes, Fabiana faz a opção por uma narrativa praticamente imparcial,de modo que o leitor tenha uma compreensão mais ampla do contexto social e cultural no qual Joicy está inserida. É uma alternância interessante, que equilibra a objetividade da realidade social e a subjetividade da experiência individual.

Ao longo do texto, Fabiana Morais demarca claramente os pontos de vista que permeiam a vida de Joicy. A repórter mostra os momentos de engrandecimento, de empoderamento e de aceitação, tanto por parte da protagonista, quanto por parte da sociedade. Mas também mostra, de uma maneira um tanto quanto crua, as dificuldades e os preconceitos experienciados pela personagem principal da reportagem. Essa dualidade torna a narrativa mais rica e mais realista, mostrando que a vida de Joicy, apesar de peculiar, é composta por bons e maus momentos - como é, aliás, a vida de todos. Essa dualidade enriquece a narrativa, mostrando que a vida é composta de altos e baixos. As dificuldades e os percalços de Joicy são apresentados com enorme crueza, mas sua vida também é pintada como repleta de esperança.

A presença constante do ambiente social – com suas normas rígidas e expectativas – serve como pano de fundo para as experiências vividas por Joicy. Fabiana Morais habilmente contextualiza os desafios enfrentados pela protagonista dentro de uma sociedade que muitas vezes marginaliza aqueles que não se encaixam nos padrões tradicionais. Através dessa contextualização, o leitor consegue entender melhor as motivações por trás das ações de Joicy e a urgência por mudança em sua vida.

Em termos estilísticos, Fabiana utiliza simbolismos poderosos ao longo da narrativa. Elementos como cores, objetos pessoais ou até mesmo lugares específicos ganham significados profundos que refletem os estados emocionais da personagem. Esses simbolismos ajudam a criar uma camada extra à história, permitindo que o leitor interprete as experiências de Joicy em múltiplas dimensões.

Podemos entender que "O Nascimento de Joicy" não é, somente, uma história sobre desafios e vitórias de uma só pessoa, mas é uma história que, de alguma forma, mexe com a consciência e com as emoções do leitor. Nos faz refletir sobre alguns dos atuais dilemas de nossa sociedade. Fabiana Morais faz com que questionemos nossas próprias percepções sobre identidade e sobre aceitação. Ao contrário de muitas reportagens, “O Nascimento de Joicy” trata o tema central de forma bastante profunda. Além disso, a personagem é perfilada com muita habilidade e sensibilidade por Fabiana. 

Joice não é retratada por Morais de forma rasa, simples. Ela cria um retrato multifacetado da protagonista utilizando técnicas como os vários usos dos diálogos entre Joicy e as pessoas, além de uma certa alternância de perspectivas. Enfim, é possível concluir que “O Nascimento de Joicy” é mais que uma simples história de superação; é, sobretudo, uma obra que nos faz refletir sobre fenômenos sociais como aceitação, empoderamento, resiliência e discriminação. É o tipo de obra que se faz necessária para o desenvolvimento de qualquer sociedade.


sexta-feira, 15 de novembro de 2024

O Segredo de Joe Gould - Joseph Mitchell

 A revista New Yorker publicou, em 1942, o perfil de Joe Gould, um falante maltrapilho que ficava perambulando pelas ruas e bares de Greenwich Village, em Nova Iorque. Essa reportagem se tornou base para outro texto, O segredo de Joe Gould, que foi publicado em 1964 pela mesma revista. O autor das duas matérias foi Joseph Mitchell. Juntas, as duas formam o livro que é o tema desta resenha, O Segredo de Joe Gould.

Mitchell nasceu em 1908, em Fairmont, na Carolina do Norte. Filho de agricultor, cresceu na fazenda da família, mas não seguiu os passos do pai. Ingressou, em 1925, na Universidade da Carolina do Norte, e se graduou em jornalismo. Em 1929, ele se mudou para Nova Iorque, pois desejava se tornar repórter político. Trabalhou em alguns jornais da cidade, até que, em 1938, foi contratado pela revista New Yorker, onde permaneceu até a sua morte. Era um dos jornalistas mais talentosos da revista, o que fez com que ele tivesse uma espécie de “passe-livre”: ele poderia escrever sobre o que bem entendesse, no tempo que achasse conveniente. 

Joe Gould era um cidadão que frequentava, com assiduidade, o bairro de Greenwich Village. Perambulava pelas ruas do bairro com roupas grandes e gastas, doadas por algum amigo. Vivia sujo e bêbado. Dormia em albergues, pensões e, muitas vezes, nas ruas. Apesar disso, não podia ser considerado um mendigo qualquer. Era inteligente, com formação acadêmica em Harvard. Além de loquaz, chamava atenção por um livro que ele dizia escrever: a História Oral de Nosso Tempo. Joe Gould afirmava que estava escrevendo uma obra gigantesca e que, para se dedicar a essa obra, pediu demissão de seu trabalho e passou a viver como um mendigo. Seu perfil é traçado em camadas: aos poucos, Mitchell vai revelando detalhes sobre a vida de Joe. Além disso, o autor não se limita a narrar, mas emite seus pontos de vista, suas impressões e suas opiniões acerca dos acontecimentos.

O primeiro perfil que forma o livro, intitulado “O professor gaivota”, foi publicado em 1942. Nele, Mitchell mostra quem era e como vivia Joe Gould. Oriundo de uma família de posses, não quis ser médico, como desejava seu pai. Chegou, até mesmo, a trabalhar como jornalista, mas escrever a “História Oral de Nosso Tempo” se tornou seu objetivo de vida. Boêmio e excêntrico, dizia saber a “língua das gaivotas” - e isso é o que inspira o título do primeiro perfil. Já o segundo perfil é datado de 1964. Nele, cujo título é “O segredo de Joe Gould”, o jornalista se ocupa em mostrar o processo de construção do primeiro perfil, seu relacionamento com Joe, e o período final da vida do boêmio. E é nesse perfil que Mitchell revela o segredo de Gould. 

Mitchell tornou-se um modelo como perfilador. Sabia escutar os entrevistados. E esse livro é, praticamente, uma aula para quem quer trabalhar traçando perfis. MItchell ouvia seus entrevistados numa espécie de escuta ativa: prestava atenção em tudo o que lhe falavam. Era atento aos detalhes. E como, para ele, todas as pessoas tinham a mesma importância, ele escutava pacientemente todas as histórias, a fim de mostrar aos leitores da revista quem eram aquelas pessoas. Pessoas essas que, muitas vezes, eram deixadas de lado pela sociedade. E essas pessoas desnudavam suas vidas para ele pois, provavelmente, ele fosse um dos poucos a ter interesse no que eles tinham para falar. 

Outra coisa a ser destacada é o estilo de sua escrita jornalística. Em seus perfis, Mitchell não se continha a apenas escrevê-los de forma objetiva. Ele se utilizava de recursos artísticos e literários para contar suas histórias, de modo que o leitor acabava “entrando” no texto, quase que fazendo parte dele, às vezes. As reportagens eram publicadas como se fossem obras ficcionais. Tanto que a obra analisada é contada de tal forma que o leitor pode ter dificuldade de entender se a história é real ou ficcional. E essa forma de escrever acaba por deixar as histórias mais humanizadas, tendo pessoas comuns como centro. Isso cria uma certa identificação do leitor com a história, pois ele terá algo em comum com a vida e com as histórias dos perfilados. E ele usa todos esses recursos nos perfis de Gould.

Esse tipo de jornalismo foi mais difundido a partir da década de 1960, sendo denominado pelo jornalista Tom Wolfe de New Journalism (Novo Jornalismo), é também conhecido como Jornalismo Literário. O objetivo desse estilo é quebrar com os padrões de imparcialidade e de objetividade. No Brasil, João do Rio é um grande expoente desse estilo.

É possível concluir que o perfilamento é um estilo bastante atraente, tanto para quem produz o texto quanto para o leitor. Mas o jornalista que se propõe a traçar perfis precisa ser um excelente ouvinte. Deve saber ouvir, com paciência e sem julgamentos. Esse estilo é uma boa alternativa aos textos jornalísticos tradicionais, excessivamente objetivos, mas humanamente pobres.


domingo, 26 de março de 2023

O Príncipe - Nicolau Maquiavel

    O Príncipe é a principal obra do florentino Nicolau Maquiavel.

    Nascido em 1469, em uma família de poucas posses, quase nada se sabe da vida dele antes de 1498, quando lhe foi oferecida a vaga de segundo secretário da senhoria. Atuava como secretário de assuntos externos, que equivale ao que conhecemos como diplomata. Em suas viagens observava o comportamento de pessoas ligadas ao poder e, a partir dessas experiências, pode formular alguns dos postulados de sua teoria política. Em 1513 foi envolvido em uma tentativa de conspiração contra o governo dos Médici, indo parar na prisão. Após sua libertação, se afastou de Florença e da vida pública, dedicando-se aos estudos e à literatura. Além de político e escritor, Maquiavel era também músico, historiador e filósofo. 

    Maquiavel escreveu vários livros, sendo O Príncipe o seu grande destaque. Ele descreve, em 26 capítulos, os tipos de principado existentes, bem como as repúblicas são caracterizadas. Descreve também como as armas podem ser utilizadas e a relação dos príncipes com o povo e com as pessoas poderosas do principado. É considerado um dos pais da Ciência Política, por pensar de forma realista sobre o Estado e o poder. Adquiriu má fama injustamente, pois o termo "maquiavélico" ficou relacionado à pessoa que quer manter seu poder a qualquer custo. Mas não é isso que ele defendia. Em O Príncipe, ele formula conselhos para que o príncipe governasse de forma eficiente, de acordo com as circunstâncias apresentadas.

    Vejo, muitas vezes, a leitura dessa obra ser pedida a alunos do Ensino Fundamental por alguns professores. Tenho isso como um erro, pois falta, a pessoas de 13 ou 14 anos, a maturidade necessária para que bem compreendam as ideias contidas na obra. Mas entendo ser obrigatória sua leitura por todo estudante de Ensino Médio.

    Não é uma obra legal de se ler. Não que seja de difícil leitura. Mas é uma espécie de ensaio político, não sendo uma leitura prazerosa. Mas recomendo fortemente que todos leiam O Príncipe em algum momento de sua vida, por se tratar de uma obra que é base para a filosofia política contemporânea.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry

    "Um livro infantil escrito para pessoas grandes". Eis a melhor definição desse clássico.

    O Pequeno Príncipe foi escrito pelo francês Antoine de Saint-Exupéry. Pouco depois da I Guerra Mundial, se tornou piloto militar reformado e, depois, piloto civil. Já adulto, aos 43 anos, viu a França ser invadida pelos nazistas, e conseguiu fugir para os Estados Unidos. Lá, foi encorajado por editores a escrever um livro infantil. Até então, o tema central de seus livros era a aviação, sua grande paixão. E foi assim que ele escreveu a grande obra de sua vida!

     Ficou pouco mais de dois anos nos EUA, e voltou para a França para combater os nazistas. Em uma missão de reconhecimento, em 1944, seu avião foi abatido por um caça alemão. Seu corpo nunca foi encontrado. Sessenta anos depois, em 2004, destroços do avião que Exupéry pilotava quando morreu foram encontrados por um pescador.

    O Pequeno Príncipe é uma obra ao mesmo tempo simples e profunda. É um livro facílimo de ser lido. Mas tem uma riqueza de mensagens que chegam até o coração do leitor.

    A história é muito simples. Um aviador pousa emergencialmente no deserto africano (provavelmente o Saara) após uma pane em seu avião. Tentava consertá-lo, quando se depara com um garoto, que caminhava em meio ao nada. Passam alguns dias juntos, e esse garoto, com sua simplicidade e sinceridade, lhe conta coisas sobre sua viagem e sobre sua vida, fazendo com que o aviador reflita sobre coisas da vida.

    Já li muita coisa, mas essa é uma das minhas obras favoritas. É, com certeza, o livro que mais li. De tempos em tempos o releio. A sua leitura me reconforta, e me faz perder a dureza de coração que adquiro no dia-a-dia. É uma leitura quase terápica. Afinal, "o essencial é invisível aos olhos..."

    Esse livro deveria ser uma leitura obrigatória nas escolas. Mais ainda: todo adulto deveria lê-lo. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Eternidade por um fio - Ken Follett


     Já devo ter mencionado, em alguma outra resenha, o quanto Ken Follett é meu autor moderno favorito. E esse livro, Eternidade por um fio, fecha de forma magistral a trilogia O Século.

    A história se passa toda no período da chamada Guerra Fria. As cinco famílias que formam os núcleos principais permanecem envolvidas nos acontecimentos históricos daquele período. Ken Follett consegue entrelaçar as histórias das famílias entre si e entre a história da humanidade, de uma forma bastante agradável. Os personagens do livro anterior se apresentam mais velhos, e seus descendentes se tornam os protagonistas. Apesar das mais de mil páginas, a sensação , ao terminar o livro, é a de que poderia haver uma continuidade, de tão boa que é a forma com que o autor une os acontecimentos fictícios aos reais.

    E, como já postei nas resenhas dos outros dois livros da trilogia: aprendi mais sobre a história recente da humanidade do que em livros didáticos. Além de aprender muito sobre geopolítica.

    Não vou prolongar essa resenha. Ela existe para que, quem a ler, entenda: essa trilogia deve ser lida por todo e qualquer amante da literatura e da história.