quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry

    "Um livro infantil escrito para pessoas grandes". Eis a melhor definição desse clássico.

    O Pequeno Príncipe foi escrito pelo francês Antoine de Saint-Exupéry. Pouco depois da I Guerra Mundial, se tornou piloto militar reformado e, depois, piloto civil. Já adulto, aos 43 anos, viu a França ser invadida pelos nazistas, e conseguiu fugir para os Estados Unidos. Lá, foi encorajado por editores a escrever um livro infantil. Até então, o tema central de seus livros era a aviação, sua grande paixão. E foi assim que ele escreveu a grande obra de sua vida!

     Ficou pouco mais de dois anos nos EUA, e voltou para a França para combater os nazistas. Em uma missão de reconhecimento, em 1944, seu avião foi abatido por um caça alemão. Seu corpo nunca foi encontrado. Sessenta anos depois, em 2004, destroços do avião que Exupéry pilotava quando morreu foram encontrados por um pescador.

    O Pequeno Príncipe é uma obra ao mesmo tempo simples e profunda. É um livro facílimo de ser lido. Mas tem uma riqueza de mensagens que chegam até o coração do leitor.

    A história é muito simples. Um aviador pousa emergencialmente no deserto africano (provavelmente o Saara) após uma pane em seu avião. Tentava consertá-lo, quando se depara com um garoto, que caminhava em meio ao nada. Passam alguns dias juntos, e esse garoto, com sua simplicidade e sinceridade, lhe conta coisas sobre sua viagem e sobre sua vida, fazendo com que o aviador reflita sobre coisas da vida.

    Já li muita coisa, mas essa é uma das minhas obras favoritas. É, com certeza, o livro que mais li. De tempos em tempos o releio. A sua leitura me reconforta, e me faz perder a dureza de coração que adquiro no dia-a-dia. É uma leitura quase terápica. Afinal, "o essencial é invisível aos olhos..."

    Esse livro deveria ser uma leitura obrigatória nas escolas. Mais ainda: todo adulto deveria lê-lo. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Eternidade por um fio - Ken Follett


     Já devo ter mencionado, em alguma outra resenha, o quanto Ken Follett é meu autor moderno favorito. E esse livro, Eternidade por um fio, fecha de forma magistral a trilogia O Século.

    A história se passa toda no período da chamada Guerra Fria. As cinco famílias que formam os núcleos principais permanecem envolvidas nos acontecimentos históricos daquele período. Ken Follett consegue entrelaçar as histórias das famílias entre si e entre a história da humanidade, de uma forma bastante agradável. Os personagens do livro anterior se apresentam mais velhos, e seus descendentes se tornam os protagonistas. Apesar das mais de mil páginas, a sensação , ao terminar o livro, é a de que poderia haver uma continuidade, de tão boa que é a forma com que o autor une os acontecimentos fictícios aos reais.

    E, como já postei nas resenhas dos outros dois livros da trilogia: aprendi mais sobre a história recente da humanidade do que em livros didáticos. Além de aprender muito sobre geopolítica.

    Não vou prolongar essa resenha. Ela existe para que, quem a ler, entenda: essa trilogia deve ser lida por todo e qualquer amante da literatura e da história.




segunda-feira, 25 de abril de 2022

Laranja Mecânica - Anthony Burgess

    Laranja Mecânica é um dos clássicos da literatura do século XX. Uma espécie de marco da distopia na literatura. É considerado parte da trindade distópica da ficção científica, junto com 1984 (George Orwell) e com Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley).

    O autor, Anthony Burgess, nasceu em 1917, em Manchester, Inglaterra. Estudou Literatura e Língua Inglesa na Universidade de Manchester, tendo trabalhado como professor no exército britânico durante a 2ª Guerra Mundial. Trabalhou como educador na Malásia, através do Serviço Colonial britânico. Escreveu seu primeiro livro,  Time for a Tiger, aos 39 anos. Retornou à Inglaterra em 1960, quando teve a notícia de que tinha um tumor cerebral inoperável, com a expectativa de vida de apenas mais um ano. Pensando em não deixar sua esposa na miséria, decidiu escrever o maior número de romances que pudesse enquanto estivesse vivo. Assim, sua esposa poderia viver de seus direitos autorais. Mas o prognóstico estava errado, e Burgess viveu mais 33 anos, o que deu a ele tempo para poder apresentar ao mundo sua grande obra, em 1962.

    Laranja Mecânica é um livro que não deixa o leitor acomodado. A história é contada por Alex. O protagonista é membro de uma gangue de adolescentes que fica nas ruas à procura de violência. Eles se divertem causando a mais variada quantidade de males aos outros. E vivem em um período de extrema violência, inclusive por parte da polícia. Depois de um certo tempo, Alex é preso, passando por um "tratamento" para que seu gosto pela violência cesse.

    O autor criou uma espécie de dialeto, o nadsat, que era falado pelos adolescentes no livro. O tradutor da edição que li, Fábio Fernandes, colocou um glossário no final do livro, contendo as expressões utilizadas. Mas ele sugere - e foi o que fiz, acertadamente - que a história seja lida sem considerá-lo. Descobrir o significado das palavras faz parte do processo de integração com a história.

    Dá pra usar o livro como pano de fundo para análises mais aprofundadas, como a ideia de livre-arbítrio versus a intervenção do Estado na vida das pessoas. Mas não foi esse meu intuito. Quis apenas apreciar uma obra. 

    O livro se tornou um clássico atemporal não à toa. Valeu a pena a sua leitura.

sexta-feira, 25 de março de 2022

Operação Cavalo de Troia 5 - Os Outros Mundos

     Acho que já postei sobre isso nas resenhas sobre os livros anteriores da coleção: não são livros religiosos, mas são melhores que a maioria dos livros religiosos que li.

    Depois de seis anos, J.J.Benítez retoma a história do major estadunidenseà Israel da época de Cristo. Ele e seu companheiro de jornada presenciam algumas das aparições de Jesus ressuscitado aos seus discípulos. Inclusive conversam com o Mestre, tendo a oportunidade de tentar estudar seu "corpo glorioso". Além disso, o autor conta como teria sido a infância de Jesus, bem como sua jornada para a vida adulta. O autor também dedica muitas páginas na exploração da personalidade de Pôncio Pilatus.

    De acordo com o autor, muita coisa que aconteceu e que foi dita por Jesus se perdeu. Muitos dos ensinamentos do Mestre foram ocultados pelos evangelistas. E esse livro nos "revela" alguns desses ensinamentos.

    Algo que muito me impressionou na obra de Benítez foi o estudo minucioso sobre Israel daquela época. Estudo sobre os costumes do povo, sobre as crenças existentes, sobre a influência romana na região, sobre filosofia. São citadas várias obras de autores antigos e de estudiosos modernos. Essa coleção pode servir como um marco para quem quiser se aprofundar nos estudos acerca da antiga nação de Israel.

    Sobre a coleção Operação Cavalo de Troia, muito simples: quem começou a lê-la não vai parar antes do último livro.