segunda-feira, 25 de abril de 2022

Laranja Mecânica - Anthony Burgess

    Laranja Mecânica é um dos clássicos da literatura do século XX. Uma espécie de marco da distopia na literatura. É considerado parte da trindade distópica da ficção científica, junto com 1984 (George Orwell) e com Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley).

    O autor, Anthony Burgess, nasceu em 1917, em Manchester, Inglaterra. Estudou Literatura e Língua Inglesa na Universidade de Manchester, tendo trabalhado como professor no exército britânico durante a 2ª Guerra Mundial. Trabalhou como educador na Malásia, através do Serviço Colonial britânico. Escreveu seu primeiro livro,  Time for a Tiger, aos 39 anos. Retornou à Inglaterra em 1960, quando teve a notícia de que tinha um tumor cerebral inoperável, com a expectativa de vida de apenas mais um ano. Pensando em não deixar sua esposa na miséria, decidiu escrever o maior número de romances que pudesse enquanto estivesse vivo. Assim, sua esposa poderia viver de seus direitos autorais. Mas o prognóstico estava errado, e Burgess viveu mais 33 anos, o que deu a ele tempo para poder apresentar ao mundo sua grande obra, em 1962.

    Laranja Mecânica é um livro que não deixa o leitor acomodado. A história é contada por Alex. O protagonista é membro de uma gangue de adolescentes que fica nas ruas à procura de violência. Eles se divertem causando a mais variada quantidade de males aos outros. E vivem em um período de extrema violência, inclusive por parte da polícia. Depois de um certo tempo, Alex é preso, passando por um "tratamento" para que seu gosto pela violência cesse.

    O autor criou uma espécie de dialeto, o nadsat, que era falado pelos adolescentes no livro. O tradutor da edição que li, Fábio Fernandes, colocou um glossário no final do livro, contendo as expressões utilizadas. Mas ele sugere - e foi o que fiz, acertadamente - que a história seja lida sem considerá-lo. Descobrir o significado das palavras faz parte do processo de integração com a história.

    Dá pra usar o livro como pano de fundo para análises mais aprofundadas, como a ideia de livre-arbítrio versus a intervenção do Estado na vida das pessoas. Mas não foi esse meu intuito. Quis apenas apreciar uma obra. 

    O livro se tornou um clássico atemporal não à toa. Valeu a pena a sua leitura.