Uma coisa que achei engraçada enquanto lia Sagarana: eu lia as falas dos personagens com sotaque! Talvez, por ser mineiro, tenha me identificado com o mineirês de algumas delas...
Sagarana foi o primeiro livro publicado de Guimarães Rosa. Mineiro de Cordisburgo, foi um dos grandes expoentes da terceira geração do Modernismo, movimento cultural que teve forte repercussão no Brasil durante a primeira metade do século XX. Através de suas obras o regionalismo passou a ter novo destaque na literatura nacional, embora permeado de invenções linguísticas e de neologismos.
Aliás, a palavra Sagarana é um neologismo, fusão do termo saga (narrativa histórica ou lendária) com o prefixo -rana (termo tupi que expressa a ideia de semelhança). Como Guimarães Rosa era médico, acabou trabalhando em várias cidades do interior de Minas. Com isso, pôde utilizar em suas obras o linguajar e as atitudes de caipiras, bem como ambientar suas histórias no interior do estado.
O livro reúne nove contos: O burrinho pedrês, Traços biográficos de Lalino Salatiel ou A volta do marido pródigo, Sarapalha, Duelo, Minha gente, São Marcos, Corpo fechado, Conversa de bois, A hora e vez de Augusto Matraga. Em boa parte deles há uma mistura de regionalismo com realismo fantástico. Alguns deles quase considero fábulas.
Até que gostei da leitura. Achei cansativo apenas o fato de que não conhecia muitas palavras, ficando sem saber se eram inventadas ou se de fato existiam. Nomes de lugares, de aves, de peixes, que nunca ouvi falar. Pra entender de verdade a obra, deveria ter comigo dicionários e enciclopédias (ou o Google...), sendo que pararia minha leitura a cada parágrafo para consultar alguns termos. É um clássico da literatura brasileira, e todo clássico precisa ser lido.

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