Achei esse livro aqui em casa. Uma edição de 1973, com as folhas já amareladas e a capa bem gasta. Nunca tinha ouvido falar de Ressurreição; logo, não sabia ter comigo um exemplar do primeiro romance publicado por Machado de Assis.
Joaquim Maria Machado de Assis tinha tudo para ser só mais um nesse mundo. Filho de um mulato, neto de escravos alforriados (lembrando que nasceu e passou praticamente toda sua vida no século XIX, período em que a escravidão ainda era legalizada no Brasil). Gago. Epiléptico. Entre os 6 e os 14 anos perdeu a mãe, o pai e a irmã, tendo sido criado pela madrasta, também mestiça. A despeito dessas situações, seu grande esforço e seu amor pelo aprendizado fizeram com que esse autodidata (estudou apenas em uma escola pública) se tornasse um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos.
Em sua primeira obra, Machado de Assis faz algumas análises psicológicas do ser humano através de seus personagens, algo que apenas os escritores realistas europeus faziam à época.
A obra se passa em torno do Dr. Félix, um médico solteirão que se gabava interiormente de ter seu coração "domado", sem se ligar em demasia a alguém. Até que conhece Lívia, uma viúva que passou seus anos de casada no interior de Minas Gerais, tendo após a viuvez retornado ao Rio de Janeiro. Félix então se apaixona - e, com isso, passa a demonstrar uma extrema inconstância emocional. Lívia corresponde ao seu amor, tendo os dois inclusive marcado a data de seu casamento. Na relação entre os dois acontecem várias idas e vindas, narradas com maestria pelo autor.
Uma das coisas que mais gosto nos escritos de Machado de Assis é a não linearidade de sua narrativa. É como se várias histórias secundárias ocorressem ao mesmo tempo que a trama principal, tendo em algum momento o entrelaçamento de todas as narrativas. Se vivesse nos dias de hoje, seria um excelente autor de novelas.
De forma geral, sempre indicarei suas obras como boas leituras. Então, para aqueles que desejarem conhecer mais

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